7 de mai. de 2008

Meu coração



Eu te amo, linda. Eu te amo tanto.
Fique por aqui, por favor, faça força.
Eu nunca tinha pensado em te perder. Mas nem é essa a questão, querida. Que egoísmo seria pensar em mim quando é você que importa.
A questão é que você tem tanto pra ver. É que você é tão doce, tão tímida e interior. E está tão assustada com esse mundo grande que apareceu do lado de fora.
E eu sou tão atrapalhada, tão espalhada por aí. Mas eu quero te mostrar o bonito desse mundo. Deixa eu te mostrar, linda. Deixa a gente te achar um caminho porque ele ainda é longo, e está bem aqui, na nossa frente.

6 de mai. de 2008

Esse cara

Ele percebe a carência. Como um sexto sentido ou um instinto animal: é uma fêmea acuada, prestes a entrar no cio. Ela não precisa ser bonita nem feia, branca nem negra, loira nem morena, magra nem gorda. Não importa se é virgem ou se é acostumada com o sexo, se é tímida ou atirada, se é carinhosa ou distante. Só tem que ser fêmea, e estar acuada. A caçada não dá certo se a fêmea não está carente.

Ele se veste de homem maduro. Chama pra jantar, almoçar ou tomar uma cerveja ali no bairro. Como se fossem amigos, mas ele não tem amigos, especialmente entre as fêmeas. Ela vai até ele meio ignorante, meio encantada. Acha que ele está “querendo alguma coisa”, e gosta de sentir o desejo. Sabe que não é a única, sabe de outras tantas. Mas fêmea tem essa esperança de ser, ela sim, algo de especial.

Não se janta, nem se almoça. Ele arruma uma forma de levá-la pra casa. Ela vai, ainda meio ingênua, ainda um tanto incrédula de suas próprias atitudes. Ele fala da vida como se fosse um homem doce e faz que presta atenção na vida dela também. Ele não tem pressa. Não vai forçar a fêmea, vai fazer com que ela queira.

Quando ela quer, ele aproveita. Não pergunta se foi bom, não importa. Ele ainda vai trazê-la outras vezes pra sua cama apertada. Só enquanto ela ainda tiver medo. Só enquanto ela o aceitar por medo do que mais a vida tem para lhe oferecer.

Depois ela perde a carência e sente nojo. Vai embora ou fica um pouco para usá-lo, pra lhe fazer mal. Para que se sinta caçado. Para que veja que é um homem menor deixado em favor de outro. Tem dó das tantas outras caçadas como ela. Tem dó dele, amaldiçoado. Quando se cansar de ser bicho, vai estar sozinho. Nenhuma mulher o ama. Nenhuma mulher ama enquanto está carente.