Eu tive um amigo no colégio, um “melhor amigo”. A gente ria & chorava & conversava & se ajudava. Ele era bonito também, alto e de olhos azuis. Nós não ficamos. Nos beijamos uma vez, no carro, antes de eu entrar em casa. Só porque não dava mais para fugir. Cinco minutos depois, eu já de pijama, ele ligou. “O que a gente faz agora?”, perguntou. “Nada”, eu respondi. “A gente continua como estava”.
Nós perdemos, por isso, uns dois anos de namoro. Teríamos tido compromissos, mandado flores, sido felizes. E teríamos brigado, sentido ciúmes e nos separado. E eu o teria perdido. Não porque ele iria embora de mim (ele acabou indo de todo jeito, por causa da namorada louca que arranjou). Mas porque eu perderia esse sentimento bonito e especial que eu ainda tenho por ele. E que sei que ele ainda tem por mim.
Tem sido assim, depois dele, toda a minha (curta) vida. Tive alguns amigos que me quiseram. Não me tiveram. Todos os que eu gostava (gosto) demais, continuam lindos amigos, companheiros, às vezes já com suas mulheres. E muito mais importantes para mim que todos os homens pra quem eu fui mulher. São relações intesas e verdadeiras - nem só o sexo e amor entre casais é assim.
Não sei se é certo, mas é minha forma de proteger. Eu sei ser melhor amiga que namorada, dado atestado pelos meus longuíssimos namoros – um de 6 meses, outro de 1 ano. Não é fácil agir assim, mas eu não trocaria meus amigos nem por eles mesmos como amores. Acho que eles todos, hoje, me preferem assim também.
Já me criticaram por isso, com razão: há vezes em que eu deixo de viver algo bonito. Deixo de “investir” em pessoas que me amam. Seriam meus namoros mais longos e felizes se eu abrisse essas portas? Ou seriam meus amigos verdadeiros mais raros?
2 de set. de 2008
Quando eu protejo de mim
Postado por Kel às 14:58