14 de mar. de 2008

Superego

O que você pensa, você aí, lendo isto, já foi importante demais para mim. Na verdade, o que eu achava que você podia pensar de mim era essencial. Não houve quem tivesse interiorizado melhor as boas maneiras de se viver em sociedade. Ninguém jamais será tão autocrítico.

Trabalhar com celebridades era ruim especialmente porque "as pessoas" não me "levavam a sério". Ficar com um cara podia ser ruim porque era conhecido do meu ex-namorado. O que ele iria pensar de mim? Voltar bêbada para casa era impensável porque minha mãe ficaria chocada. A sugestão de pauta da piauí eu não mandei porque a editora me acharia burra (obviamente, alguém mais teve a mesma idéia e publicou no meu lugar).

Como eu deixei isso acontecer? É como quem não rouba por medo das câmeras. Como quem não vive por medo de morrer. Como quem não erra por medo sentir vergonha. VERGONHA. Por medo de que os outros sintam vergonha de você. Acho que, afinal, fui criada como um japonês - Ruth Benedict que o diga.

Meus queridos amigos que tanto me importam: obrigada por me fazer ver. Que eu havia me tornado minha pior chefe, minha pior mãe, minha pior consciência. Meu julgamento largo era só para vocês, não para mim. Eu vivia pelas expectativas. Quanto eu mudei. Quanto mais eu vou conseguir mudar? Falta tanto - mas o caminho é tão claro. Me sinto leve porque vejo.