Existe um ponto crítico. Quando você segura o ar à espera do soco; quando fecha os olhos à espera do beijo; quando reza à espera do milagre. Quando você espera. Não está mais nas suas mãos. Você quer tudo resolvido, mas tudo se resume em possibilidades.
Bem me quer, mal me quer, a sorte. Como lidar com o tempo quando ele é dos outros? Como suportar as próprias limitações? O que mais você poderia ter feito para (se) salvar (alguém)?
Fora do seu controle, o mundo. Você não determina nada. Você é causa, mas não pode prever as consequências. Você não consegue evitar o sofrimento dos outros. Você não vai ser quem quer só porque quer.
Então, espera.*
* Mas sabe, ao menos, sorri, que se não vier o beijo, nem o milagre, e se o soco lhe derrubar, a culpa pode não ser sua. É só a vida que se constrói e se destrói à sua revelia.
22 de fev. de 2008
Das incertezas
Postado por Kel às 16:43